Programa de Melhoramento Genetico de Cana-de-Açúcar

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As etapas do melhoramento genético da cana-de-açúcar

Sao cinco etapas: cruzamentos, produção de plântulas, seleção e obtenção dos clones, avaliação dos clones em diferentes condições edafoclimáticas e lançamento da(s) cultivar(es).

As etapas:

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É o ponto de partida para o desenvolvimento de novas cultivares. Os cruzamentos são realizados na Estação Experimental de Florescimento e Cruzamento da Serra do Ouro, EFCSO, localizada em Murici, Alagoas. A EFCSO pertence a Universidade Federal de Alagoas. A estação se situa a uma latitude de 9°13'S, longitude de 35°50' W e altitude de 450 a 500 metros, ou seja, condições de fotoperíodo e temperatura propícias para que os clones e, ou, cultivares floresçam.

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Na EFCSO estão reunidos mais de 2.000 genótipos, entre cultivares utilizadas no país, clones, outras espécies relacionadas ao gênero Saccharum e cultivares importados das diferentes regiões canavieiras do mundo. Cada genótipo, devidamente identificado é mantido individualmente em covas. Os cruzamentos biparentais ou múltiplos são realizados a partir do planejamento prévio estabelecido por meio de métodos científicos específicos. Posteriormente, as panículas são coletadas, as sementes processadas e enviadas para as universidades federais que integram a RIDESA.

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Em Minas Gerais a semeadura e a produção das plântulas ocorrem no Centro de Pesquisa e Melhoramento da Cana-de-Açúcar, CECA, localizado em Oratórios, Minas Gerias, em uma latitude 20°25' S, longitude de 42°48' W e altitude de 494 metros.Ampliar Foto Cerca de 200 mil plântulas sao produzidas anualmente no CECA. Cada plântula originária de uma semente é em potencial uma nova cultivar. Logo, no CECA são produzidos anualmente cerca de 200 mil novas potenciais cultivares. Somente se saberá se tais plântulas gerarão ou nao novas cultivares depois de 10 a 15 anos de avaliações por meio de experimentos conforme explicado nas próximas etapas.

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As plântulas obtidas a partir dos cruzamentos sao transplantadas para o campo. Esta fase é denominada T1. O plantio destas plântulas ocorre em duas épocas: outubro/novembro no CECA e em fevereiro nas sub-estaçoes experimentais e usinas. Para os experimentos T1, plantados como cana-de-ano, em outubro e novembro (ano um), são utilizadas mudas com aproximadamente dois meses após a repicagem e individualizaçao das plântulas em telado. A irrigação é usada somente para pegamento das plântulas que se desenvolvem até julho do ano dois, sendo cortadas nesta época.

Logo, os genótipos sao submetidos a seleção natural para rebrota em época com pouca ou nenhuma chuva e temperaturas baixas. A mesma estratégia é utilizada para o T1 plantado como cana de ano e meio, em fevereiro (ano dois). Neste caso, utilizam-se mudas com cerca de quatro meses de idade. Porém, o manejo do corte no ano tres dependerá da populaçao T1 ser previamente programada para a selecionada no início, meio ou fim de safra. Isto porque a seleção em T1 sempre é realizada em cana-soca, em plantas com cerca de onze meses.

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Depois, os genótipos selecionados (touceiras individuais) (Ver foto) são etiquetados e as mudas utilizadas para o plantio de outro experimento denominado fase T2, tal fase corresponde aos clones de primeira geração de propagação assexuada ou vegetativa.

Uma vez obtidos os clones estes são plantados em outro experimento, em delineamento de blocos aumentados. Neste caso, a fase de seleção é denominada T2 e as parcelas são de um sulco de seis metros de comprimento. As cultivares padrões ou testemunhas utilizadas em todos os blocos são: RB867515 e RB835486, sendo a primeira usada como referência de produtividade, e a segunda, como padrão de maturação.Os experimentos T2 são colhidos em cana-planta e soca.

Utiliza-se o preparo convencional do solo para plantio dos experimentos de competição de clones. Após sulcação e adubação manual das parcelas tem inÍcio a marcação dos aceiros de dois metros de largura. As mudas são preparadas de acordo com o número de gemas previamente estabelecidas para o plantio (Ver foto) e os clones são identificados e transportados para a área de plantio do experimento. (Ver foto). Quando os clones já estão distribuídos organizadamente na área (Ver foto) as mudas são distribuídas manualmente dentro dos sulcos, depois são picadas e cobertas com terra manualmente ou mecanicamente com o uso do cobridor de cana.

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Os clones selecionados nesta fase são plantados em outro experimento denominado T3. Caso se utilize um ano para obter maior quantidade de mudas dos clones selecionados em T2 pode-se repetir o T3 em mais locais e empregar blocos aumentados ou grupos de experimentos em blocos casualizados com repetição. Por sua vez, os clones selecionados na fase T3 são multiplicados (fase denominada FM) e introduzidos em diversas usinas e destilarias de Minas Gerais para avaliação na fase denominada FE. Os experimentos sao colhidos por três cortes sucessivos. Esta operação pode ser feita com despalha prévia a fogo e pesagem das parcelas com o auxílio de uma carregadora de cana, acoplando-se a garra desta a uma célula de carga ou dinamômetro.

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Alternativamente, é possível estimar a produtividade de colmos por meio da amostragem de três feixes com 10 canas cada, dentro de cada parcela e pesagem com o auxílio de dinamômetro com capacidade para 50 quilos, além da contagem do número de colmos dos sulcos centrais. Por meio de regra de três é estimada a tonelada de colmos por hectare, TCH. As fases T2, T3 e FE correspondem, portanto, a experimentação em nível de campo para avaliação do desempenho dos clones em poucos ou muitos locais.

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Cada conjunto de clones ou populações tem sido avaliado em diferentes condições edafoclimáticas. Há experimentos em solos com diferentes níveis de fertilidade, regiões com características diferenciadas de luminosidade, temperatura, distribuição hídrica e quantidade de chuva, altitude diferenciada, afetando as características anteriores, época da safra de colheita dos experimentos, solos com diferentes capacidades de retenção de água, dentre outros. Portanto, os clones são avaliados sob diferentes condições ambientais e época da safra, o que permite indicar ou sugerir o provável melhor manejo para os novos clones.

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Nos experimentos de avaliação dos clones é avaliado o açúcar em campo, por meio do refratômetro manual ou com uma ou duas amostras de oito colmos de cada parcela que são enviadas ao laboratório para determinaçao dos teores de açúcar e fibra da cana-de-açúcar. Isto é a chamada análise tecnológica. Nas fases iniciais do PMCA, T1, T2 ou T3 o teor de açúcar é estimado apenas pela quantificação do Brix por meio do refratômetro manual. Já nas fases T3 e FE determina-se em laboratório o teor de sacarose, açúcares redutores e fibra utilizando-se prensa hidráulica, sacarímetro (Ver foto ) e refratômetro digital. Em todas as fases são avaliadas e registradas, em condições de campo, a reação dos clones as doenças mais importantes da cultura e os demais caracteres morfológicos e de performance agronômica. Os testes de mosaico e carvão são realizados na Universidade Federal de São Carlos.

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Outra particularidade do PMGCA é o intercâmbio de clones entre as universidades federais que integram a RIDESA. Anualmente, cada universidade envia a outra cerca de 50 novos clones previamente criados e selecionados em seus respectivos Estados. Esta logística potencializa a força do PMGCA e amplia a oferta de novos clones para as usinas e destilarias que possuem convenio de cooperaçao técnica com as universidades. Este é o ponto crucial para o sucesso do programa em rede. Todos os clones criados são transferidos para a rede de universidades e estas fazem a transferência para usinas e destilarias parceiras. Assim, os clones recebidos das outras universidades são multiplicados e avaliados por meio de experimentos nas fases T3 ou FE.

Após diversos anos de avaliação e seleção dos clones, as novas cultivares são liberadas. A UFV já liberou duas cultivares, a RB928064 e a RB867515. As características de manejo são discutidas a seguir. Veja mais...

As recomendações das cultivares RB de outras universidades introduzidas em Minas Gerais também sao apresentadas a seguir. Veja mais...

Para ver o resumo do processo de seleção Clique aqui!

 


Universidade Federal de Viçosa
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Tel: (31) 3881-4599 ou (31) 9914-5878

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